Domingo, dia 15 de Novembro de 2009 às 09:00 eu fui a Praia do Futuro, Barraca Ytaparicá, junto das minhas irmãs, e fiz as seguintes observações.
Era domingo de Vestibular na cidade, o trânsito estava um pouco mais movimentado do que o de costume, mas a praia estava um pouco mais livre, com muitas vagas para estacionar, mesas próximas ao mar para escolher e cadeirões livres para quem pretendia se expor ao sol até fritar, salgar no mar e empanar rolando na areia.
Na mesa a esquerda duas moças com retalhos de banho – mínimos daquele jeito não se pode chamar de traje – e bebidas alcoólicas quentes nas mãos antes mesmo do horário de almoço, camarões com limão comprados de um ambulante serviam de tira-gosto. Um pouco a frente um homem grisalho, gordo, vermelho no nível não sei o que é protetor solar fotografava as bundas de fora das mulheres na praia com a câmera de seu celular fazendo pose de quem estava com o viagra esperando a primeira que sentisse o cheiro do seu dinheiro e o visse o brilho da aliança que uma coitada e/ou despreocupada botou naquele dedo.
Logo a frente um grupo que demostrava não pertencer ao ciclo social dos frequentadores daquele pedaço de litoral sentados a beira do mar sem consumir nada oferecido pela barraca ou ambulantes, despertava os olhares desconfiados e fazia surgir uma incômoda indagação entre os frequentadores pagantes: “será que eles vão nos roubar?”
Na mesa da direita uma dupla de turistas de algum país hispânico lia uma revista de fofocas – em espanhol é claro – enquanto ouvia música pelos seus fones de ouvidos e ostentava uma florida e extravagante touca em sua cabeça. Enquanto a outra lia alguma livro cuja capa não fui capaz de ver e comia uma tangerina despreocupadamente. Suas peles, com tons entre alaranjados e avermelhados, indicavam uma semana inteira de idas constantes a praia.
Até o momento não era possível definir nenhum som fora o dos ambulantes propagando seus diversos produtos entre alimentícios, artesanais e pirataria.
Foi então que uma conversa começou a surgir com palavras proferidas por várias vozes altas e agudas através das quais era possível supor a idade das participantes. Pareciam falar de casa, cozinha, marido e crianças. Eram as mais novas clientes se apossando da mesa as minhas costas.
De repente surge uma criaturinha de menos de um metro e meio andando sozinha e confiante em direção ao mar, até parecia que havia chegado ali sozinha. Pensei que por mais que essa criança parecesse confiante, responsável e bem educada, os pais não deveriam deixá-la tão solta. Maior do que os problemas que ela podia causar a si mesma seriam os problemas que os outros podiam causar a ela. E, infelizmente, gente ruim é o que não falta nesse mundo, mas isso é o que todo mundo já sabe e, no seu ponto de vista, ninguém se considera realmente ruim: apenas o defensor de seus próprios interesses.
Ela chegou até o mar e poucos minutos depois voltou. Foi quando notei que ela pertencia ao grupo das “mulheres de família”. Começou a chamar pela mãe e surgiu novamente caminhando em direção ao mar, agora agarrada na mão de uma mulher. A criança parecia conduzir o passeio. Na mesa de trás uma das vozes, uma mais senhora, comentava o quanto a criança era apegada a mãe.
É então que se torna possível ouvir uma voz grave gritando meio trêmula alguma coisa sem sentindo. O locutor está claramente bêbado e acerta tudo ao seu redor com reclamações. Nenhuma frase sai bem articulada. Aparentemente o assunto é futebol. Nada mais clichê do que velho, gordo, bêbado, gritando na praia sobre futebol: um assunto que nunca vai fazer diferença na vida de ninguém. Daí se pensa como tem gente capaz de se fazer ridículo e intolerável. Levando em consideração de que todos conhecem os malefícios da bebida porquê há quem consuma? Sabendo que o expectador de uma partida de futebol nunca vai conseguir tirar nada proveitoso daquilo porquê ainda assim tem quem fale como se fosse um assunto capaz de decidir o rumo do mundo? E, a pior de todas, quem foi que inventou que é preciso consumir algo que faz com que a pessoa perca o controle sobre si mesmo para ser capaz de conseguir ter um bom momento?
É nesses momentos que se percebe que não importa o quanto o mundo mude, já que as pessoas continuam as mesmas, cometendo os mesmos erros, vamos todos sempre ter os mesmos problemas e alguns de nós ainda vão perder seu tempo questionando-se sobre isso.
Um comentário:
adorei esse texto... vc escreve muito bem.. e realmente é verdade essas coisas q vc comentou! Parabéns ^^
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