Uma garotinha de óculos de lentes grossas, usando um vestido de estampa floral, sempre com feição muito séria, tinha os dedos tão rápidos que quando digitava era impossível de se ver. Havia ganhado seu primeiro computador aos oito anos e passava todo o tempo em seu quarto junto dele.
₪ Capítulo 02 – Gênio
Era quase meia noite quando uma menina de baixa estatura, carregando uma mochila, cabelos curtos e óculos de lentes grossas, entrava num restaurante pequeno e de aparência vulgar na periferia da cidade. Sentou-se ao balcão e pediu um café. Esfregou as mãos até receber o pedido, quando, fortemente, apertou a xícara com as duas mãos, a fim de aquecê-las. Pousou-a sobre o balcão, pôs a mochila em seu colo e dela retirou um laptop que abriu ali mesmo, depois retirou dos bolsos da mochila fios, fones de ouvido e alguns MD’s. Digitava rápido demais. O incômodo, para alguns, e incessante barulho das teclas chamava a atenção de algumas pessoas ali presentes, em especial a do barman que se aproximou curioso a perguntar.
- Ei, mocinha, não é aconselhável andar com essas coisas por aqui.
Ela o ignorou. Parou por uns segundos de teclar para beber um gole de seu café.
- O que tanto faz? – insistiu não agüentando de tanta curiosidade.
Ela empurrou os óculos com o indicador colocando-os novamente no lugar, encarou-o friamente e retirando os fones de ouvido decidiu responder.
- Trabalho.
- Isso não é hora de trabalhar. Além disso, não é muito novinha para isso, não?
- Tenho dezoito.
A seriedade daquelas palavras foi, para um simples atendente de bar, como um golpe de misericórdia. Intimidado, ficou sem reação olhando para a moça.
Virou o que ainda restava de seu café. Guardou os fios e fones na mochila. Levantou-se jogando a mochila sobre o ombro esquerdo e segurando o laptop com a mão direita. Revistou seus bolsos até encontrar o dinheiro jogando-o sobre o balcão. Nem sequer importava-se se estava certo ou errado. Retirou-se. Caminhando para longe do estabelecimento abriu o computador e pressionou uma tecla para confirmar ação. Logo surgiu o fogo e o som característicos da explosão às costas.
- Gente estúpida! Sacrificar gente tão medíocre me faz achar esse trabalho inútil.
* - * - * - * - *
- Fui transferida contra minha vontade para essa área.
Ortensia ouvia a visitante enquanto apanhava na escrivaninha de sua sala alguns documentos que veio a entregar-lhe em seguida. Voltando à mesa, apanha a chave do quarto de Locke e, em seguida, faz soar um pequeno sino de som agudo.
- Creio que você será uma ótima companhia para Locke. Não tenha dúvidas de que será bem cuidada em minha casa.
- Essa é a ficha dele? – dizia folheando os papeis que lhe foram entregues. – Toda a lenda é verdade! – disse irônica. – Esse é o pequeno animal que você cria.
São ouvidos dois toques rápidos à porta que logo é aberta. Uma jovem empregada uniformizada adentra a sala reverenciando as duas.
- Clara, traga Locke até aqui. – disse Ortensia estendendo-lhe a chave.
Acatando as ordens, a moça apanha a pequena chave argêntea das velhas e acabadas mãos de Ortensia e confirmando o que lhe foi dito retira-se.
Retomando o assunto à velha, toma feição incomodada.
- Não gostaria que se referisse a ele como um animal, Olívia. – disse ríspida.
- Não se sinta ofendida. Você é minha superior, mas de qualquer forma, ninguém está acostumado com a idéia de um pirralho assassino sem noção do mundo ao seu redor.
* - * - * - * - *
Entrando no quarto, silenciosamente, Clara, chama por Locke num tom suave, como se estivesse com medo de assustar alguém, como se não quisesse ser escutada. Andando pelo quarto procura cuidadosamente atrás da mesa, no meio dos livros, olha sobre a cama, mas não há ninguém. Em meio a sua busca chega a tropeçar em livros jogados pelo chão.
De repente escuta algo cair, ou melhor, deslizar. O mesmo barulho que se ouve quando algo desliza de súbito sobre uma superfície macia. Nesse momento seus olhos localizam a poltrona no canto do quarto. O barulho houvera sido produzido por um livreto que escorregara por entre os braços de Locke adormecido sobre o móvel. Havia caído no sono durante a leitura.
Clara chamou por seu nome, mas não podia exceder o limite da altura de sua voz, balançou-o, mexeu nele todo que nem sequer mostrou sinais de incômodo. Como última opção lembrou-se de Pedro, apanhou o livreto que estava aos pés da poltrona, hesitou no primeiro momento, mas logo bateu com este na cabeça de Locke. Este apertou os olhos e aos poucos os abriu enquanto passava mão sobre a cabeça, no local do impacto. Notando que havia conseguido, a moça aproximou-se e pousou o livreto sobre o braço da poltrona.
- Locke, a senhora Ortensia quer vê-lo agora.
- Que dia é hoje?
- Quarta-feira.
- Mas, às quartas-feiras só tenho aulas durante a tarde, e ainda não almoçamos.
- É que a senhora está com visita. Certamente deseja apresentá-lo.
- Isso é um incômodo!
Levantou-se cheio de birra. Caminhou em direção a porta do jeito que estava: cabelos despenteados, meio presos meio soltos, gravata desamarrada sobre o pescoço, primeiros botões da camisa abertos e pés descalços.
Clara tentou impedi-lo, mas não conseguiu alcançar seus passos apressados. Quando percebeu, já estavam na sala de Ortensia.
Locke praticamente invadiu a sala, entrando sem pedir permissão e batendo a porta forte ao atravessá-la. Logo em seguida, entra Clara desculpando-se pelo acontecido.
- Sinto muito! Muitíssimo mesmo, senhora! Eu tentei impedi-lo. Mas, a senhora conhece melhor do que eu o quanto é perigoso tentar qualquer coisa.
- Não precisa se desculpar. – disse Ortensia fazendo sinal para que se retirasse.
A moça logo seguiu suas ordens.
Na sala, Olívia observava Locke com um sorriso sádico. Logo começou a gargalhar.
- Me desculpe, Ortensia! Não pude me conter. – disse entre pausas de seu riso. – Você tem um espécime muito engraçado aqui!
- Quem é você, anã?! – perguntou Locke, ao notar que era maior que Olívia. – Por que não tá chamando ela de senhora, como todo mundo?
- Cada um com seus privilégios, animalzinho!
Ortensia interviu chamando a atenção com um pigarreio.
- Não o chamei aqui para começar uma briga, Locke. – e aproximando-se dele prosseguiu. – E isso não são modos de se apresentar. Olhando para essa sua cara, posso dizer que acaba de ser acordado.
- Desculpa, tia. Acabei caindo no sono de novo enquanto lia.
- Hmm... Essa é Olívia. – disse apontando para a visitante. – Ficará conosco por um tempo.
- E o que tenho eu com isso?
- Vocês dois trabalham na mesma área. Agora, volte para o seu quarto e dê um jeito na sua aparência. De preferência, tome um longo banho. Olívia ficará com você até quando formos almoçar.
Mordendo o lábio inferior num estímulo de ira, Locke aceitou a ordem, confirmando com um menear de cabeça e retirando-se bravo da sala.
Observando a cena, Olívia ajustava os óculos ao rosto com o dedo indicador.
- Você domou o animalzinho mesmo!
- Olívia, sei bem que costuma fazer tudo sozinha, mas tenha paciência desta vez. Não foi opção minha. Ao que dependesse de mim, Locke poderia trabalhar com qualquer um exceto você.
- Noto que parece considerá-lo além do que desejaria. “Ortensia é só a tutora, mas trata aquele moleque como se fosse seu bebê.” Ouvi coisas do tipo várias vezes. Na verdade já não gostei deste lugar assim que pisei aqui. É muito frio! Prefiro esquentar as coisas. Só me chateia o fato de ter de me livrar de gente inútil! Eles não ajudam e nem atrapalham, mesmo assim põem-se no caminho. Gente inútil!
- Para alguém do seu nível todos são inúteis. Desde que era criança, as pessoas lhe pareciam inúteis. Locke não é um inútil, então não vá livrar-se dele quando achar que deve. Vocês devem trabalhar juntos e não um contra o outro, por isso a mandaram aqui antes que partissem para executar a tarefa. De qualquer forma, me resta apenas fazer-lhe um último alerta.
- Último alerta? Por acaso não está confiando a mim?
- Eu a conheço desde que era criança e sei bem como age, ou tem agido atualmente. O que quero avisar é para ter cuidado. Não ouse usar Locke para saciar sua libido. Caso o faça serei eu quem irá puni-la.
- Tudo bem que um moleque sem senso como é ele, é fácil para essas coisas, mas não se preocupe, seu bichinho não faz meu tipo.
* - * - * - * - *
Pelos corredores Locke caminhava com passos vagarosos e pesados batendo forte contra o piso a cada passo, enquanto resmungava. Maneira típica de se demonstrar insatisfação. Durante o percurso, era seguido por Clara que, a todo instante tentava dizer algo para acalmá-lo, mas hesitava ao ouvir o som do pé contra o piso junto dos murmúrios.
De súbito ele pára no meio do caminho, fica olhando para os próprios pés. A emprega assustada pára onde está, esperando por alguma reação. Lentamente ele olha para trás, um olhar apavorante sobre a moça, que se sente toda arrepiada.
- Tá me seguindo por quê? – pergunta num tom mórbido.
- Er... aju...dar?
- A quê?! Como vai ajudar? Só ajudaria se pudesse me livrar daquela menina irritante!
- Sinto muito!
- Mas... – nesse momento Locke desvia o olhar, como se se sentisse constrangido.
- Mas?
- Pode fazer com que eu fique pronto mais rápido...? Assim a tia não vai brigar comigo.
A moça concorda com um sim gutural e aproxima-se deste acompanhando-o até seu quarto.
* - * - * - * - *
Locke e Olívia passeiam pelos jardins aos arredores da casa de Ortensia. Ela usava tantos agasalhos que parecia sem pescoço, e seu rosto era quase impossível de ser visto. Parecia tremer mesmo dentro de tantas roupas. Já Locke, acostumado ao clima da região, sentia-se bem à vontade agasalho com apenas um casaco.
- Que cabelinho de moça esse, hein? – Olívia comenta no intuito de irritá-lo.
- O que você tem com isso? Ao menos não estou parecendo um palhaço redondo dentro de tantas roupas!
- Não me fale disso! Esse climinha de vocês é irritante. Sabe, eu moro num lugar quente, cheio de praias, meu apartamento tem vista para o mar.
- Então, tá fazendo o que aqui? Vai logo embora!
- Não é assim que as coisas funcionam!
Olívia parou de andar e deixou escapar um suspiro de cansaço, esfregou as mãos dentro das grossas luvas e começou a falar.
- Acho que a Ortensia não te contou, mas estamos no mesmo tipo de trabalho. Apenas não faço como você. Enquanto você mata uma pessoa, eu destruo uma cidade inteira. Certo que nem sempre é assim, mas já tive de fazê-lo. Às vezes é só um lugar.
- Como faz isso? – começava a mostrar interesse pelo assunto.
- Explosões! Construo bombas e aciono pelo computador. É bem simples.
- Mas isso quer dizer, que tem vezes que você mata mesmo quem não está envolvido.
- Fazer o quê!? Acho estupidez perder meu tempo destruindo gente assim, mas é esse maldito trabalho.
Ambos permaneceram calados por um instante. Locke parecia perdido em pensamentos, pensamentos sobre o que acabara de ouvir. Olívia observava-o querendo acabar com aquele silêncio constrangedor. Até que lhe ocorreu uma idéia.
- Ei, vamos sair daqui! – ela puxou-o pela mão, tirando-o bruscamente de seus pensamentos.
- Eu não saio. – disse aplicando força sobre o chão, tornando-se pesado demais para que fosse puxado.
- Quê!? Que pensamento retardado é esse? Vamos sair... Não tem nada pra fazer nesse lugar. Além disso, me obedeça! Ortensia disse que ficaria comigo durante o resto da manhã. Então, vamos sair!
- Só saio se a tia me autorizar.
- Quantos anos você tem afinal? Três?!
- Não, eu tenho...
- Já sei! Li sua ficha. Isso foi modo de falar. – o interrompeu.
- Eu não vou sair! Lá fora também não tem nada pra fazer.
- Lá é mais fácil encontrar. Se você vai ficar se fazendo de difícil, vamos até a Ortensia, que ela autoriza.
* - * - * - * - *
Olívia arrastava Locke pelas ruas, parecia bem alegre por ter saído, o frio já não parecia incomodar-lhe tanto quanto antes, provavelmente por causa dos movimentos rápidos que fazia agora, andando, praticamente, saltitante pelas ruas, com um sorriso idiota estampado no rosto, quase destruindo sua feição intelectual.
- Eu sabia que ela deixaria! Aqui fora não é bem mais animado?
- Não! Vamos voltar.
- Você parece um velho, mesmo sendo um molequinho. Ah! Faz tanto tempo que não vejo ninguém além do meu tutor e minhas vítimas, que até um molequinho como você serviria, mas a Ortensia me mataria se fizesse alguma coisa.
- Do quê tá falando?
- Se ao menos eu visse o Alexander mais uma vez! Já faz tanto tempo que a gente se viu. – continuou a falar ignorando a pergunta de Locke.
- Quem é Alexander?
- O atirador! Você não conhece? Não conhece nenhum dos outros?
- Outros? Eu acabei de saber que você também executa. Como eu posso conhecer outros?
- Alexander é um sniper. Acho que é só um ou dois anos mais velho que você. Ao menos não é tão moleque!
- Pára de me chamar de moleque!
* - * - * - * - *
Em seu escritório, Ortensia recebia o neto e um colega de trabalho, o tutor de Olívia. Os três sentados em cadeiras confortáveis ao redor de uma mesa de vidro e tomavam um chá enquanto conversavam sobre trabalho. Mais especificamente discutiam sobre Olívia, Locke e o que havia sido designado para os dois.
O tutor de Olívia não era tão velho quanto Ortensia, poderia ter seus trinta anos. Vestia um paletó preto, que levava uma insígnia no lado esquerdo do peito, um uniforme. Estudava cautelosamente a ficha de Locke, passando devagar página por página.
Soltando os papéis sobre na mesa, dirigiu-se a colega.
- Por que não me enviou o material antes?
- Nesse tipo de vida deve haver bastante cautela. Eu nunca enviaria informações. Sabe-se lá o que poderia acontecer pelo caminho! – explicou, ela.
- Poderia ter mandado por Pedro. – já parecia irritado.
- E se algo acontecesse a ele pelo caminho? Não, não. Deve-se pensar em tudo. Por que isso o incomoda?
- Por quê? Acho incoerente eles terem sido designados a trabalharem juntos. Olívia poderia resolver tudo como na noite passada.
- Se fosse assim ela já teria ido embora.
- Na verdade, tudo isso só está acontecendo devido a uma falha. – complementou, Pedro.
- Walter, você não previu tudo.
- Como me fala em prever!? – Walter esfregava a mão na nuca de uma forma preocupada. – Ninguém imaginaria que acionariam o sistema quando fosse anunciada a morte daqueles dois! Não tínhamos como saber que haviam mais envolvidos!
- Talvez tivéssemos, só não foi dada devida atenção ao caso. – em nenhum momento Ortensia alterava-se.
Pedro retirava a louça da mesa, puxava uns rolos de papéis encostados em sua cadeira e estendia-os sobre o tampo vidro.
- É um subterrâneo. – explicava, apontando o local sobre o mapa que tinha aberto. – Olívia precisa chegar aqui discretamente e destruir tudo, enquanto, em cima, Locke deve localizar suas vítimas e eliminá-las sem ser notado. Sugiro que seja durante a madrugada. Por volta das onze as ruas dessa cidade já estão completamente vazias.
- Então, por que esperar até a madrugada? – Walter pergunta.
- Imaginei que alguém do seu nível entenderia. – Ortensia comentou, zombando dele. – Precaução. “por volta das onze” não significa “exatamente onze”. Esperar um pouco mais é só questão de cuidado. Bem, mas não devemos nos preocupar com a falta de entendimento. O único aqui do setor de estratégia é o Pedro mesmo.
- Eu preciso saber alguma coisa sobre você, Walter? – Pedro pergunta retomando o assunto. – Será invasão de propriedade privada, mas precisamente uma residência. Dos guardas já sabemos que Locke cuidará, mas enquanto as fechaduras... Bem, queremos algo discreto, Olívia poderia... – antes que terminasse a frase foi interrompido por Walter iniciando um discurso orgulhoso.
- Violar as trancas? Claro. De todos os tipos! O que mais se pode esperar de uma mocinha que construiu uma bomba de nêutrons aos treze anos? Olívia é uma autodidata. De todos, é a de maior nível intelectual! Não se preocupem quanto a isso, ela o fará sem problemas.
- Parece confiante. – Ortensia comenta. – Mas, lembre-se que nesse trabalho o intelecto não é a única salvação. Estudei bem a ficha dela. Fisicamente é um desastre. Nessa missão será protegida por Locke. – adverte. – Além do que, aquela menina é uma pervertida!
* - * - * - * - *
Olívia e Locke estavam sentados à mesa de um restaurante. Um lugar grande e luxuoso. Mesas cobertas por belas toalhas, galerias de janelas de vidro ornamentadas por cortinas e flores, lustres de vidro, piso de mármore, recepcionista, garçons, dividido em alas e tudo o mais. Eles estavam numa mesa próxima a uma das várias janelas, sobre a mesa, pratos com fatias de tortas cobertas por creme e enfeitadas com pedaços de frutas. Olívia saboreava o pedido comentando a todo o tempo o quão gostoso estava, enquanto Locke nem tocava o prato observando o lado de fora pela janela.
- Ô! Não vai comer, não? Eu tô pagando pra você. – Olívia reclamava ao vê-lo distraído sem sequer olhar para o que ela havia pedido.
- Eu não pedi isso. – reclamou virando-se para ela.
- Ai, ai, você dá mais trabalho do que parece. E daí que não pediu? Eu estou te dando.
- Eu não quero.
- Que coisa! Será que o bebezinho não come porcarias antes do almoço?!
- Por que estamos fazendo isso? Será que eu não poderia ter ficado em casa?
- Existe algo mais divertido para se fazer. – Olívia atirou sobre o garoto um olhar, um tom sádico. – Mas, só podemos se não disser nada para sua titia.
- Pára de me olhar com essa cara ridícula!
- Ah! Com você, qualquer uma perde a vontade! – reclamou. – Se quer saber, eles não nos queriam lá.
- Eles?! Você sabe o que é! Me conta!!
- Que adianta? Você deve contar tudo para a Ortensia. Além disso, você me desanimou. Ao menos experimenta o doce. Está tão bom!
Locke observou o prato por um breve instante, mexeu de um lado para o outro com o garfo. Depois, volto-se para Olívia entregando-lhe a torta.
- Não gosto de morangos.
- Não tenho dúvidas de que você me irrita!
De repente uma sombra surge sobre a mesa. Alguém se aproximou dos dois sem que fosse notado. Ambos olham para o alto em busca do rosto do invasor. Deparam-se com Pedro e sua expressão de chateação.
- A vovó me mandou buscá-los. – avisou. – E como deu trabalho encontrá-lo! Da próxima vez se escondam num local mais próximo.
Quando Olívia terminou de comer seus doces, pagou a conta e, junto de Locke, acompanhou Pedro de volta a casa de Ortensia.