12.11.2007

sábado, dia 8 de dezembro, foi a confraternização do semestre 2 do curso de japonês da uece.
eu, minha irmã (Mira), um monitor(Artur) e alguns colegas saímos pra um rodízio de massas no pasto & pizza. aqui estão as fotos da noite:

12.10.2007

Depois de muito, muito tempo (quase um mês), sendo atualizado novamente... e agora de layout novo. Isso graças ao Vitu-chan que me ajudou (fez tudo) com o modelo.
Agora eu vou tentar postar um pouquinho mais por aqui.
Por enquanto, muitíssimo obrigada, Vitu-chan! Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket

11.15.2007

8.09.2007

Abertura do Anime que tô assistindo agora: Sayonara Zetsubou Sensei


Sayonara Zetsubō Sensei (さよなら 絶望先生 - Adeus Professor Desespero) é a história de um professor que leva tudo a respeito da vida, cultura e sociedade da maneira mais pessimista possível. Um anime/mangá Seinen que mostra o anime-harem mais estranho possível e a história corre toda com uma boa dose de humor negro.

7.07.2007

7.06.2007

Havia um lugar do qual estranhos não ousavam aproximar-se. Uma enorme mansão cercada e vigiada por centenas de guardas armados que ficava fora dos limites da cidade, refugiada pela vegetação aciculifoliada.

Capítulo 03 – Coisas que fizemos

Todos os relógios marcavam exatamente uma hora da tarde. Era uma sala com o chão coberto por carpetes vermelhos e paredes cobertas por pinturas, exceto uma, uma parede completamente substituída por vidro, possibilitando uma visão privilegiada do lado de fora, enchendo a sala com a cálida luz do sol. Ao fundo desta sala, estava um sofá de três lugares e duas poltronas, ao redor de uma mesa de centro de mogno, onde repousava uma estatueta de pessoas sem rosto abraçando-se. Virado para a vidraça um piano de cauda.

Locke acompanhava uma partitura enquanto uma senhora sentada ao banco do piano junto deste, o instruía sobre o instrumento.

Sentada ao redor da mesa junto de Pedro, Walter e Olívia, Ortensia observava a aula conversando com seus visitantes.

- Que coisa mais chata! Não podemos fazer outra coisa? – perguntava Olívia bocejando.

- Não gosta de música? – perguntou Ortensia.

- De música sim! Mas, ele acerta três notas e depois recomeça. Isso não é música!

- Não deveríamos parar com essa aula e instruí-los sobre hoje à noite? – perguntou Walter.

- Não. Pode falar o que bem desejar a Olívia agora. Enquanto Locke, bem, eu falarei o que for preciso mais tarde. – esclareceu Ortensia.

- Sendo assim, vamos conversar em outro lugar. Não vou conseguir captar todas as informações desse jeito. – disse Olívia já se levantando.

Ela e o tutor retiraram-se da sala. Pedro e Ortensia permaneceram observando Locke enquanto conversavam em tom quase inaudível, como se trocassem confidências.

- Diga-me sinceramente, Pedro. Acha que esse plano vai dar certo?

- Ainda tenho minhas dúvidas.

- Como pensei.

Um momento de silêncio pairou na sala, e as notas musicais ecoaram.

- Você não se cansa de ser tão controladora?

- Para um bom condicionamento é necessário manter o controle. Se eu não fizer parte de todos os momentos, algo pode fugir a minha percepção.

- Ah! É nessas horas que me sinto grato por ter escapado disso.

- Não ser apto a nenhuma habilidade especial lhe faz bem? Eu fui condicionada no inicio dessa organização, sua mãe, seu tio, o mesmo para eles.

- Falando nisso, eu nunca soube o que fazia no começo.

- Não tive um tratamento tão rígido quanto o atual. Você vê, o mais fácil foi o de Olívia. Walter não tem pulso! Mas, é melhor não perder seu tempo imaginando como eu era quando jovem. Isso não faz parte da sua jurisdição.

* - * - * - * - *

Chegara a madrugada. Pedro observava o céu noturno sentando ao relento sobre um banco de praça, esforçando-se para não adormecer.

Olívia e Locke observavam o local da invasão, planejando como deveriam proceder.

- A única entrada para o subsolo é no quarto de um dos caras que você tem que eliminar. – dizia Olívia apontando o local sobre uma planta. – Vou arrombar as fechaduras e você mata quem for necessário até que cheguemos lá. Quando eu tiver acesso ao subsolo irei sabotar o sistema e enquanto isso você deve eliminar os outros marcados. Você estudou os caras, né?

- Por que tá agindo como se mandasse em mim?

- Porque você é mala demais pra mandar em alguém, logo, é óbvio que quem manda aqui sou eu!

- Eu, definitivamente, te odeio!

- Que bom que é recíproco. – respondeu sorrindo largamente.

- De qualquer forma, eu quero acabar logo com isso.

Locke deixou Olívia onde estavam e aproximou-se da entrada vigiada por cães de guarda. Antes que os animais pudessem confirmar a presença dele com latidos, o garoto puxou sua espada curta e retalhou-os. Percebendo a ausência da denúncia iminente, Olívia aproximou-se e retirou de sua mochila alguns aparatos que usou para arrombar a fechadura do portão silenciosamente. Depois de feito ambos entram na propriedade caminhando cautelosamente, preparados para atacar qualquer presença ameaçadora.

Finalmente chegam à porta da casa sem grandes problemas durante o percurso. Novamente Olívia possibilita sua entrada. Ao atravessarem a porta, se deparam com uma velhinha carregando um copo d’água, que olha instintivamente para trás ao ouvir o som da porta se abrindo.

- Quem seriam vocês? Visitantes a essa hora... – sussurrava a velhinha, receosa de acordar alguém.

- Viemos concertar um problema. Volte para a cama. Não haverá incômodo. – Olívia tentava amenizar a situação.

- Ela nos viu. – afirmava Locke. – Um risco em potencial. Deve ser eliminada.

- Fica quieto, garoto robô, eu resolvo isso.

- Sim. Façam seu trabalho. Não irei atrapalhá-los. – disse a velha virando-se.

Enquanto retirava-se calmamente, Locke aproximou-se sorrateiramente desta cravando-lhe a lâmina nas costas deslizando até a altura da cintura de onde a tirou bruscamente. Empurrou o corpo com a mão aberta, sobre o peito da vítima aplicou uma força de desaceleração reduzindo a velocidade de queda e anulando o som do impacto do corpo no chão. Após pousá-lo adequadamente voltou-se para Olívia. Ela o olhava com uma expressão de nojo enquanto este olhava rapidamente para os lados, em busca de prevenir-se contra qualquer outro que os visse.

Os dois juntaram-se e prosseguiram rumo ao quarto onde se encontrava a passagem para o subterrâneo. Chegando ao local, porta aberta, passos lentos e suaves para diminuir os ruídos. A pouca luz que vinha da janela era suficiente para mostrar-lhes o que precisavam dentro do quarto. Facilmente Olívia identificou a passagem da qual necessitava. Locke notou que na cama dormia um casal, mas que só deveria executar o homem.

- Tem dois. – sussurrou para Olívia antes que atravessasse a passagem.

- Faça como bem entender! Afinal, o bichinho irracional, retalhador de velhinhas e animais aqui é você! – depois destas palavras atravessou a passagem deixando-o proceder da maneira que bem entendesse.

Por alguns instantes o garoto observou o casal dormindo, mas logo apontou a lâmina para o peito do homem, cravou-a bem no meio, com força empurrou-a fundo.

A esposa começou a contorcer-se sobre a cama e aos poucos veio a abrir os olhos, esfregando-os sentou-se sobre a cama. Olhava para os lados. Finalmente seu olhar caiu sobre o corpo do esposo e Locke a esfaqueá-lo. Horrorizada com a cena soltou um potente e agudo grito, o qual Olívia pôde ouvir de onde estava, mas, mesmo preocupada com uma possível falha, continuou com a sua parte.

Surpreendido com o grito, Locke saltou sobre a mulher e com um movimento rápido desferiu um golpe transversal cortando desde seu ombro esquerdo até a altura do quadril direito.

Logo depois o quarto foi invadido por outras presenças que lhe ofuscaram a visão, acedendo repentinamente as luzes. Após a adaptação de suas pupilas, passou a eliminar todos que se pusessem em seu caminho.

* - * - * - * - *

Olívia atingira o local onde estava o sistema tão falado. Máquinas a ela desconhecidas preenchiam todo o ambiente. Precisava destruí-las o mais rápido possível, mas antes de qualquer coisa conectou seu laptop a rede, rastreou senhas e fez uma cópia de todos os dados disponíveis. Ao término desinstalou o sistema por completo, depois abriu a máquina central e dentro de seus mecanismos instalou uma bomba de grafite que seria acionada pelo seu computador assim que deixassem o local.

Terminando o serviço rumou ao encontro de Locke. Ao entrar no quarto novamente encontrou-o sentado ao canto, próximo a passagem, esperando-a, e vários corpos jogados ao longo do local, cujo piso, paredes e janelas estavam cobertos por sangue.

Os dois saíram da casa. Diante dos portões de entrada Olívia abriu seu laptop e acionou a bomba, silenciosamente, foram embora.

Encontraram-se com um Pedro sonolento num local afastado daquela casa. Os primeiros raios de sol já podiam ser vistos.

- Como foi? – perguntou espreguiçando-se.

- Quase não dá certo! Por sorte esse moleque é um psicopata. – dizia Olívia apontando para Locke, que esfregava os olhos baixos enquanto bocejava.

- Depois conversamos, o animalzinho tá com sono.

Os três partiram de volta a casa de Ortensia, onde descansaram.

* - * - * - * - *

Eram dez horas da manhã quando Olívia, sentindo-se já disposta a deixar seu descanso, saía para tomar um ar. Passeava pelos campos cobertos de neve com árvores sem folhas, flores ou frutos, apenas galhos sustentando porções de gelo e coníferas a seu redor, até que se deparou com uma figura familiar sentada ao chão folheando um livreto e tendo outros vários empilhados a seu lado. Figura que enchera seu rosto de felicidade e fizera transbordar-lhe alegria num grito e salto sobre este.

- ALEXANDER! – gritou ao saltar em cima dele, que se sentia desconfortável sob o corpo da garota.

- Olá. – respondia ao cumprimento sem o mínimo entusiasmo, desviando o olhar.

Do lado de dentro da casa, através de uma janela, Ortensia, Walter e Jousia, tutor de Alexander, observavam o que ocorria entre os dois. Jousia tinha estatura média, cabelos ruivos penteados para trás, com aquela aparência plástica, estava sempre sério e despreocupado.

- Surpreendentemente eles conseguiram sair-se bem. – comentava Ortensia. – Agora entendo sua fé na genialidade dela, Walter. Olívia sozinha pensou em usar uma bomba de grafite. Como ela procedeu a respeito desta, não me importa, mas foi muito esperta em usar algo que não mata.

- Não queríamos barulho, não é? Das vítimas, o seu garoto cuidou. – Walter respondia ao comentário.

- Estou curioso. – disse Jousia. – Sei que cheguei a pouco, mas sinto uma grande curiosidade. Quando conhecerei Locke? Quero comprovar as histórias que tenho ouvido. Não consigo acreditar em nada que me falam a respeito desse garoto.

- É engraçado. Mas, tudo que falam é verdade. É impossível acreditar na existência de um ser como ele. Mais difícil ainda é imaginar os métodos usados por Ortensia.

- Locke está dormindo. É o que mais gosta de fazer. – disse Ortensia. – Por que não aproveita para me falar de Alexander? Eu nunca o havia visto antes. A minha primeira impressão é de que tem um jeito muito parecido com o seu, Jousia.

- Alexander é o favorito de Olívia. – comentou Walter.

- Quando diz favorito quer dizer que ela...

- Exatamente! – interrompeu. – Você mesma referiu-se a Olívia como uma pervertida, sendo assim, refira-se a Alexander como sua vítima.

Jousia interrompeu o assunto, tão indesejado por ele, pigarreando. Depois de conseguida atenção e o término do que o incomodava, pôs-se a falar sobre o que Ortensia perguntara de início.

- Mesmo que eu seja tutor de Alexander e possa passar-lhe qualquer informação que queira a respeito deste, prefiro que pergunte ao próprio o que desejar saber.

- Se ele realmente for como você, é muito improvável que eu saiba alguma coisa. – diz Ortensia.

* - * - * - * - *

Olívia já havia saído de cima de Alexander, agora estava sentada ao lado deste, sob as árvores. Folheava descuidadamente seus livros, enquanto tentava puxar algum assunto com o garoto, que permanecia calado, observando as páginas.

Alexander tinha cabelos castanho-claros, olhos escuros e sempre se vestia com roupas que lembravam um uniforme militar. Devido ao clima hostil do lugar, estava com um casaco, luvas e um cachecol, todos cinza, acompanhando o vestuário costumeiro.

- O que você tá fazendo aqui? – perguntava Olívia.

- Lendo. – ele respondia sem tirar os olhos do livro.

- Não falo disso. Quero saber aqui, na casa da Ortensia?

- Jousia disse que viria visitar a senhora Ortensia e, como eu não estava fazendo nada e ele não quis me deixar só, resolveu me trazer junto.

- Que coisa!

- É.

- Não acha esse clima detestável?

- Na verdade não. É até bom.

- Que excitante... Vamos pro meu quarto?!

- Não está muito cedo para suas festinhas?

- Nunca é cedo de mais! Além disso, faz tempo que não nos vemos.

- Isso explica aquele grito que ainda me faz ouvir zumbido.

- Que bom que você não conhece o Locke. Se os dois se unissem eu pediria penico da vida.

- Você o conhece? É o que dizem?

- É. Acho que é. É sem noção. O tipo de pessoa que faz qualquer um perder a paciência.

* - * - * - * - *

No pequeno aposento escuro e desorganizado onde não há janelas, seu quarto, Locke, ainda embaixo de seus cobertores e deitado sobre a cama, abre lentamente os olhos. Após completamente abertos, permanecem fitando o vazio escuro do teto de seu quarto. Os interruptores estão longe de mais para ir aceder as luzes. Não lembra em que lugar do quarto deixou a luminária jogada. Apesar de não conseguir mais dormir, está muito bom ali para querer sair.

O som daquela correntinha denuncia alguém na porta, que pouco depois é aberta devagar deixando aos poucos a forte luz do lado de fora penetrar o ambiente. Um instante, ninguém entra. Som de vidro batendo e passos aproximam-se juntamente deste. Clara entra no quarto segurando uma bandeja. Desviando no meio da bagunça, chega próximo a cama, espera um pouco ali de pé, até que Locke, finalmente, vira o rosto ainda deitado em sua direção.

- Você está acordado! – exclama. – A senhora Ortensia disse que eu trouxesse café da manhã, mesmo que já fossem dez horas. Disse para deixar por aqui mesmo, caso não estivesse acordado.

Quando a moça terminou com suas palavras, Locke voltou-se novamente para o teto. Permanece fitando seu vazio tedioso. Diante disto, Clara aproxima-se ainda mais, senta no canto da cama e monta sobre este a bandeja que carregava.

- Locke, não acha que passa tempo de mais aqui dentro? Fica sozinho de mais? Na sua idade é mais normal interagir um pouco com as pessoas. Se quiser, eu peço a senhora Ortensia para deixar-lhe sair hoje. Tem aquela menina e acaba de chegar um rapazinho também. É companhia para você.

Depois disso, ambos permaneceram em silêncio, até que, mesmo sem desviar seu olhar na direção da moça, Locke pergunta:

- Já faz quanto tempo que você está aqui?

- Quer dizer... No quarto?

- Não. Há quanto tempo trabalha aqui?

- Um ano mais ou menos.

- Por que a tia Ortensia deixa você vir aqui sozinha?

- Eu... Não sei.

- Eu não quero sair daqui hoje. Não tenho nada a fazer lá fora.

- Mas, é fácil encontrar. Com certeza pode ser mais divertido do que ficar aqui. Agora, sente-se e coma um pouco. Eu vou falar com a senhora.

Clara levanta-se e em seguida ergue a bandeja já em posição para colocar sobre as pernas de Locke. Lentamente ele ergue-se sobre a cama, ajeita o travesseiro para deixar as costas descansarem. A moça deixa a badeja sobre o garoto que sem tocar em nada observa o que está lhe sendo servido. Pega o garfo e joga de um lado para o outro a comida sobre o prato.

- Não gosta? – ela pergunta ao observar o modo como o garoto está diante da refeição.

- Não consigo comer.

- É uma sensação normal que se tem quando acaba de acordar. Quando puser a primeira porção na boca, logo terá apetite.

Antes de deixar o aposento, Clara acendeu uma das lâmpadas, a pequena de luz amarelada que fica sobre a cama. Atravessou a porta trancando-a por fora.

* - * - * - * - *

Na sala de Ortensia, junto de seus visitantes, ela continua suas conversas, quando ouve batidas em sua porta. Cessando os assuntos e autorizando a entrada, Clara atravessa a porta e cumprimenta a todos. Logo em seguida, dirige-se a sua patroa:

- Desculpe-me se parecerei intrometida ou algo parecido, mas, gostaria de saber se seria possível deixar Locke sair hoje?

- Por que me pede isso? – Ortensia perguntou num tom esnobe.

- Porque eu acredito que faria bem a ele. – respondeu sem parecer atingida.

- Então, faça-o. Mas, tenho uma condição. Distribua suas tarefas entre os outros, hoje sua única tarefa será não sair de perto dele.

Entendendo a instrução recebida confirmou com um gesto de cabeça, pediu licença aos presentes e retirou-se do local.

Eles voltaram às discussões, mas não retomaram assuntos anteriores.

- Quem é essa? – perguntou Walter.

- Uma empregada. – Ortensia respondeu como quem não se importa.

- Não sabia que dava tanta importância aos seus empregados.

- Até agora essa foi a única que não teve problemas a respeito de Locke. É só isso.

- Que tipo de problemas? – perguntou Jousia tomando interesse pelo assunto.

- Aceitou ajudar ele e, até o momento, não tenho nenhuma reclamação de Locke a respeito dela.

- Ele reclama? – riu. – Não costumo me importar com as reclamações de Alexander. São sempre reclamações sem sentido.

- Deveria se importar. Isso que os faz confiar em nós. Eles confiam quando mostramos nos importar, mesmo que não nos importemos.

* - * - * - * - *

Locke está sentado em sua poltrona amarrando cuidadosamente sua gravata, quando sente um impulso que leva sua cabeça para trás. Clara está com uma escova nas mãos puxando os cabelos dele.

- Tá fazendo o que?! – pergunta irritado.

- Penteando...

- Não precisa! Eu posso fazer isso sozinho.

- A sua gravata está torta.

- Também ajeito isso sozinho.

Desfaz o nó e recomeça tudo de novo. Ao terminar, toma a escova das mãos de Clara e, apressadamente, tenta arrumar os cabelos. Quando acha que terminou, nota que não encontra nada com o que possa prender. Solta a escova no chão mesmo e sai procurando qualquer coisa que sirva pelo quarto.

- O que foi? – pergunta ao observá-lo.

- Não é nada. Eu resolvo.

Mesmo tendo ouvido apenas isso como resposta, ela deduz o que seja e começa a procurar também. Abrindo uma das gavetas da mesa sobre as imensas pilhas e papéis, Clara encontra uma fita branca de comprimento razoável. Olha pelo quarto, tentando localizar Locke, quando o vê, caminha em sua direção. De pé atrás deste, curvado procurando embaixo de suas coisas, ergue-o segurando-o pelos ombros, quando devidamente em pé, prende os cabelos com a fita, dando voltas o suficiente para não deixar pontas.

Ele toca o rabo-de-cavalo feito pela moça, checando a firmeza deste.

- Tava aonde?

- Dentro de uma gaveta.

- Eu podia ter achado! Podia ter prendido sozinho! Pára de fazer as coisas por mim! – demonstrava raiva tanto em suas palavras como expressão e gestos.

- O que incomoda tanto? Não é tão ruim assim ter quem faça algo por você.

- É ruim. Eu não preciso disso.

Terminando a discussão, apanhou sua capa e as luvas sobre a poltrona e as vestiu.

Retiraram-se do quarto. Clara trancou a porta e guardou a chave no pequeno bolso de seu uniforme.

* - * - * - * - *

Alexander lia seus livros embaixo das árvores secas do jardim, enquanto Olívia o agarrava pelas costas cercando seu pescoço com os braços, colando o rosto no seu. Vez ou outra apontava alguma coisa no livro. Ele parecia não se importar. Apenas ignorava com um silêncio desprezível.

Clara puxava Locke pela mão em direção ao encontro dos dois. Encontrando-os empurra o garoto para frente e recua. Toma certa distância e fica a observá-los.

Quando Olívia nota sua chegada, aperta o rosto de Alexander com as mãos e vira em sua direção.

- Esse é o Locke. – disse segurando a cabeça de Alexander.

Locke vira-se e caminha na direção contrária, quando ouve seu nome chamado por uma voz desconhecida, a voz de Alexander, que se soltava dos abraços de Olívia e punha-se de pé. O garoto vira-se de volta e observa-o esperando por algo. Mas, ambos mantêm-se calados. Quando Olívia nota que aquilo pode não sair do modo como esperava, e que a qualquer momento Locke pode resolver ir embora, deixando Alexander a, simplesmente, observá-lo, levanta-se e se junta a eles para tentar fazer as coisas andarem.

- Ei, Locke! – ela chamou. – Lembra que falei do Alexander. Este é o Alexander. – disse apontando.

- É um prazer conhecê-lo. – Alexander cumprimentou estendendo a mão a um aperto.

Locke aproximou-se devagar, hesitante apertou a mão estendida de Alexander.

- Agora você conhece dois de nós! – comentou Olívia. – Sabe, Alex, o Locke não sabia que havia mais além dele.

- Somos no total quatro rapazes e três meninas. – disse Alexander. – Ao menos que eu saiba.

- Como os outros são? – Locke perguntou.

- Eu posso descrevê-los. – propôs Olívia. – Ou melhor, posso mostrá-los.

Ela caminhou para o local onde estava junto de Alexander, sentada no chão, tirou o computador da mochila e colocou-o sobre as pernas, teclou rápido e vários arquivos apareceram abertos na tela. Os garotos sentaram-se cada um a um lado seu, e observavam ao que ela mostrava na tela.

- Não está muito completo. É um pouco superficial. Mas, vai dar pra entender o básico. Tem até fotos. Não são muito boas, algumas um pouco antigas, mas serve de referencia. – explicou ela.

Primeiro exibiu as informações que tinha sobre os próprios, ela, Alexander e Locke, depois começou a mostrar os desconhecidos a Locke, lendo em voz alto as informações principais, como nome, idade e especialidades. Também soltava alguns comentários relativos a sua opinião.

De longe, Clara observava os três juntos, satisfeita.

7.04.2007

Muita falta de noção

Link: PlayMyGame

6.20.2007

1. Porque faz tempo que não posto nada.
2. Porque tava ouvindo Hachimitsu hoje cedo.
3. Porque Hachimitsu é a melhor insert song de Honey & Clover.
4. Porque Honey & Clover é uma das melhores séries que já vi.
5. Porque não é só uma das cenas mais engraçadas, como da arte sequencial mais bonita e apresenta rapidinho os personagens da série.



Acho que é motivo o suficiente.

6.04.2007

Isso é um teste que a Sandra me enviou por e-mail. De acordo com o que tem aqui, isso pode te informar se você está dentre os 2% da população que se diferenciam.

T e s t e d e l o u c o

1º TESTE:
Foi descoberto que o nosso cérebro tem um Bug.
Aqui vai um pequeno exercício de calculo mental !!!! Este cálculo deve fazer-se mentalmente (e rapidamente), sem utilizar calculadora nem papel e caneta!!!
Seja honesto... faça cálculos mentais...
Tens 1000, acrescenta-lhe 40. Acrescenta mais 1000.
Acrescenta mais 30 e novamente 1000. Acrescenta 20.
Acrescenta 1000 e ainda 10. Qual e o total?

(resposta abaixo)










O teu resultado é:


5000 ?



A resposta certa e 4100 !!!!

Se não acreditar, verifique com a calculadora. O que acontece e que a seqüência decimal confunde o nosso cérebro, que salta naturalmente para a mais alta decimal (centenas em vez de dezenas).




2º TESTE:
Rápido e impressionante: conte, quantas letras "F" tem no texto abaixo sem usar o mouse:

FINISHED FILES ARE THE RE-
SULT OF YEARS OF SCIENTIF-
IC STUDY COMBINED WITH
THE EXPERIENCE OF YEARS










Contou?









Somente leia abaixo após ter contado os "F".









OK?










Quantos??? 3??? Talvez 4???






Errado, são 6 (seis) - não é piada! Volte para cima e leia mais uma vez!

O cérebro não consegue processar a palavra "OF".
Loucura, não?
Quem conta todos os 6 "F" na primeira vez é um "gênio", 3 é normal,4 é mais raro, 5 mais ainda, e 6 quase ninguém.




3º TESTE:
Sou Diferente? Faça o teste.
Alguma vez já se perguntaram se somos mesmo diferentes ou se pensamos a mesma coisa? Façam este exercício de reflexão e encontrem a resposta!!!
Siga as instruções e responda as perguntas uma de cada vez
MENTALMENTE e tão rápido quanto possível mas não siga adiante até ter respondido a anterior.
E se surpreendam com a resposta!!!

Agora, responda uma de cada vez:

Quanto é:
15+6
















....21...












3+56














...59...














89+2












...91...
















12+53











...65...
















75+26











....101...
















25+52











....77...
















63+32











....95...




Sim, os cálculos mentais são difíceis mas agora vem o verdadeiro teste.
Seja persistente e siga adiante.



123+5

















....128...














RÁPIDO! PENSE EM UMA FERRAMENTA E UMA COR!












E siga adiante...










Mais um pouco...











Um pouco mais...
















Pensou em um martelo vermelho, não é verdade???
Se não, você é parte de 2% da população que é suficientemente diferente para pensar em outra coisa. 98% da população responde martelo vermelho quando resolve este exercício. Seja qual for a explicação para isso, mandem para seus amigos para que vejam se são normais ou não!!!

Aqui está exatamente como ela me enviou.
Quanto ao meu resultado, eu faço parte dos 2%. Acertei as questões lógicas de primeira e a ferramenta em que pensei foi uma chave de fenda verde.

quem fizer, comente seu resultado aqui. ^^

6.02.2007

Bokura Ga Ita

Esse é o anime que eu tô vendo agora. Ou melhor, essa é a abertura do anime que eu tô vendo agora. Para todas as pessoas que contestaram a cerca do meu lado sentimental, eu dedico esse post.
Mas, enfim. Bokura Ga Ita - 僕等がいた (Nós Estávamos Lá), tema de abertura é Kimi Dake Wo... (Só Você). O anime foi produzido pelo estúdio ArtLand e exibido no Japão durante o ano de 2006, começando em Julho e terminando em Dezembro, tendo no total 26 episódios. O anime é baseado no mangá de mesmo título criado pela mangaká Yuuki Obata e serializado pela revista Betsucomi. Sua produção teve início em 2002, mas ainda não chegou ao fim, tendo, até o momento, um total de 11 volumes.
O mangá conta a história de Takahashi Nanami (Nana)(Sasaki Nozomu) que se apaixona pelo rapaz mais popular da escola, Yano Motoharu (Yazaki Hiroshi). O anime começa quando Nana conhece Yano no colégio e ouve sobre os rumores a cerca dele. Ao decorrer da história ela descobre sua ex-namorada e como seu relacionamento chegou a um fim trágico. Percebendo que ele ainda ama a ex-namorada que possuia seu mesmo nome, Nana tenta entendê-lo melhor. Com o passar do tempo, Yano se vê tão acostumado com a presença de Nana que por mais que tente se desviar dela, não consegue. Depois, os dois acabam começando a namorar, mas após notar o quão difícil torna-se lidar com Yano e seus sentimentos sobre a ex-namorada, Nana termina com ele. Mais tarde, Takeuchi Masafumi (Take)(Kawakubo Takuji), o melhor amigo de Yano, vê-se apaixonado por Nana e resolve empenhar-se para amá-la mais do que Yano. Entre desavenças e confidencias, Nana chega a um ponto que se sente capaz de escolher entre Yano e Take.

Então, esse é um anime que eu recomendo. E apesar de a sinopse e a abertura darem uma impressão melosa e sem graça da série, na verdade ela é muito engraçada e confortável de se assistir, a começar pelos tons macios das vozes dos seiyuus que chegam até a dar um sensação de dormencia nos ouvidos (O.o). Bem fora do comum!

5.27.2007

a música é muito 'tunts tunts', mas o video é bem legal.


5.16.2007

4.25.2007

Bump of Chicken
Karma

Garasudama hitotsu otosareta oikakete mou hitotsu okkochita
Hitotsu bun no hidamari ni hitotsu dake nokotteru

Shinzou ga hajimatta toki iya demo hito ha basho wo toru
Ubawarenai you ni mamoritsuzuketeru

Yogosazu ni tamottekita te demo yogorete mieta
Kioku wo utagau mae ni kioku ni utagawareteru

Kanarazu bokura ha deau darou
Onaji kodou no oto wo mejirushi ni shite
Koko ni iru yo itsu datte yonderu kara
Kutabireta riyuu ga kasanatte yureru toki
Umareta imi wo shiru

Sonzai ga tsuzuku kagiri shikata nai kara basho wo toru
Hitotsu bun no hidamari ni futatsu ha chotto hairenai

Garasudama hitotsu otosareta ochita toki nanika hajikidashita
Ubaitotta basho de hikari wo abita

Kazoeta ashiato nado kizukeba suuji de shika nai
Shiranakya ikenai koto ha dou yara ichi to zero no aida

Hajimete bokura ha deau darou
Onaji himei no hata wo mejirushi ni shite
Wasurenai de itsudatte yonderu kara
Kasaneta riyuu wo futari de umeru toki
Yakusoku ga kawasareru

Kagami nanda bokura tagai ni
Sorezore no karuma wo utsusu tame no
Yogoreta te to te de sawariatte
Katachi ga wakaru

Koko ni iru yo tashika ni sawreru yo
Hitori bun no hidamari ni bokura ha iru

Wasurenai de itsudatte yonderu kara
Onaji garasudama no uchigawa no hou kara
Sou sa kanarazu bokura ha deau darou
Shizumeta riyuu ni jyuujika wo tateru toki
Yakusoku ha hatasareru
Bokura ha hitotsu ni naru

4.16.2007

Nova abertura de Katekyo Hitman Reborn! com tema na saga dos anéis vongola

4.15.2007

"Você não percebe porque nunca deixa o conforto do interior da sua casa, mas a humanidade está cheia de pessoas crueis. E é por causa disso que me vejo no direito de puní-las."

Death Note - The Last Name

Filme perfeito!

4.12.2007

Uma garotinha de óculos de lentes grossas, usando um vestido de estampa floral, sempre com feição muito séria, tinha os dedos tão rápidos que quando digitava era impossível de se ver. Havia ganhado seu primeiro computador aos oito anos e passava todo o tempo em seu quarto junto dele.

Capítulo 02 – Gênio

Era quase meia noite quando uma menina de baixa estatura, carregando uma mochila, cabelos curtos e óculos de lentes grossas, entrava num restaurante pequeno e de aparência vulgar na periferia da cidade. Sentou-se ao balcão e pediu um café. Esfregou as mãos até receber o pedido, quando, fortemente, apertou a xícara com as duas mãos, a fim de aquecê-las. Pousou-a sobre o balcão, pôs a mochila em seu colo e dela retirou um laptop que abriu ali mesmo, depois retirou dos bolsos da mochila fios, fones de ouvido e alguns MD’s. Digitava rápido demais. O incômodo, para alguns, e incessante barulho das teclas chamava a atenção de algumas pessoas ali presentes, em especial a do barman que se aproximou curioso a perguntar.

- Ei, mocinha, não é aconselhável andar com essas coisas por aqui.

Ela o ignorou. Parou por uns segundos de teclar para beber um gole de seu café.

- O que tanto faz? – insistiu não agüentando de tanta curiosidade.

Ela empurrou os óculos com o indicador colocando-os novamente no lugar, encarou-o friamente e retirando os fones de ouvido decidiu responder.

- Trabalho.

- Isso não é hora de trabalhar. Além disso, não é muito novinha para isso, não?

- Tenho dezoito.

A seriedade daquelas palavras foi, para um simples atendente de bar, como um golpe de misericórdia. Intimidado, ficou sem reação olhando para a moça.

Virou o que ainda restava de seu café. Guardou os fios e fones na mochila. Levantou-se jogando a mochila sobre o ombro esquerdo e segurando o laptop com a mão direita. Revistou seus bolsos até encontrar o dinheiro jogando-o sobre o balcão. Nem sequer importava-se se estava certo ou errado. Retirou-se. Caminhando para longe do estabelecimento abriu o computador e pressionou uma tecla para confirmar ação. Logo surgiu o fogo e o som característicos da explosão às costas.

- Gente estúpida! Sacrificar gente tão medíocre me faz achar esse trabalho inútil.

* - * - * - * - *

- Fui transferida contra minha vontade para essa área.

Ortensia ouvia a visitante enquanto apanhava na escrivaninha de sua sala alguns documentos que veio a entregar-lhe em seguida. Voltando à mesa, apanha a chave do quarto de Locke e, em seguida, faz soar um pequeno sino de som agudo.

- Creio que você será uma ótima companhia para Locke. Não tenha dúvidas de que será bem cuidada em minha casa.

- Essa é a ficha dele? – dizia folheando os papeis que lhe foram entregues. – Toda a lenda é verdade! – disse irônica. – Esse é o pequeno animal que você cria.

São ouvidos dois toques rápidos à porta que logo é aberta. Uma jovem empregada uniformizada adentra a sala reverenciando as duas.

- Clara, traga Locke até aqui. – disse Ortensia estendendo-lhe a chave.

Acatando as ordens, a moça apanha a pequena chave argêntea das velhas e acabadas mãos de Ortensia e confirmando o que lhe foi dito retira-se.

Retomando o assunto à velha, toma feição incomodada.

- Não gostaria que se referisse a ele como um animal, Olívia. – disse ríspida.

- Não se sinta ofendida. Você é minha superior, mas de qualquer forma, ninguém está acostumado com a idéia de um pirralho assassino sem noção do mundo ao seu redor.

* - * - * - * - *

Entrando no quarto, silenciosamente, Clara, chama por Locke num tom suave, como se estivesse com medo de assustar alguém, como se não quisesse ser escutada. Andando pelo quarto procura cuidadosamente atrás da mesa, no meio dos livros, olha sobre a cama, mas não há ninguém. Em meio a sua busca chega a tropeçar em livros jogados pelo chão.

De repente escuta algo cair, ou melhor, deslizar. O mesmo barulho que se ouve quando algo desliza de súbito sobre uma superfície macia. Nesse momento seus olhos localizam a poltrona no canto do quarto. O barulho houvera sido produzido por um livreto que escorregara por entre os braços de Locke adormecido sobre o móvel. Havia caído no sono durante a leitura.

Clara chamou por seu nome, mas não podia exceder o limite da altura de sua voz, balançou-o, mexeu nele todo que nem sequer mostrou sinais de incômodo. Como última opção lembrou-se de Pedro, apanhou o livreto que estava aos pés da poltrona, hesitou no primeiro momento, mas logo bateu com este na cabeça de Locke. Este apertou os olhos e aos poucos os abriu enquanto passava mão sobre a cabeça, no local do impacto. Notando que havia conseguido, a moça aproximou-se e pousou o livreto sobre o braço da poltrona.

- Locke, a senhora Ortensia quer vê-lo agora.

- Que dia é hoje?

- Quarta-feira.

- Mas, às quartas-feiras só tenho aulas durante a tarde, e ainda não almoçamos.

- É que a senhora está com visita. Certamente deseja apresentá-lo.

- Isso é um incômodo!

Levantou-se cheio de birra. Caminhou em direção a porta do jeito que estava: cabelos despenteados, meio presos meio soltos, gravata desamarrada sobre o pescoço, primeiros botões da camisa abertos e pés descalços.

Clara tentou impedi-lo, mas não conseguiu alcançar seus passos apressados. Quando percebeu, já estavam na sala de Ortensia.

Locke praticamente invadiu a sala, entrando sem pedir permissão e batendo a porta forte ao atravessá-la. Logo em seguida, entra Clara desculpando-se pelo acontecido.

- Sinto muito! Muitíssimo mesmo, senhora! Eu tentei impedi-lo. Mas, a senhora conhece melhor do que eu o quanto é perigoso tentar qualquer coisa.

- Não precisa se desculpar. – disse Ortensia fazendo sinal para que se retirasse.

A moça logo seguiu suas ordens.

Na sala, Olívia observava Locke com um sorriso sádico. Logo começou a gargalhar.

- Me desculpe, Ortensia! Não pude me conter. – disse entre pausas de seu riso. – Você tem um espécime muito engraçado aqui!

- Quem é você, anã?! – perguntou Locke, ao notar que era maior que Olívia. – Por que não tá chamando ela de senhora, como todo mundo?

- Cada um com seus privilégios, animalzinho!

Ortensia interviu chamando a atenção com um pigarreio.

- Não o chamei aqui para começar uma briga, Locke. – e aproximando-se dele prosseguiu. – E isso não são modos de se apresentar. Olhando para essa sua cara, posso dizer que acaba de ser acordado.

- Desculpa, tia. Acabei caindo no sono de novo enquanto lia.

- Hmm... Essa é Olívia. – disse apontando para a visitante. – Ficará conosco por um tempo.

- E o que tenho eu com isso?

- Vocês dois trabalham na mesma área. Agora, volte para o seu quarto e dê um jeito na sua aparência. De preferência, tome um longo banho. Olívia ficará com você até quando formos almoçar.

Mordendo o lábio inferior num estímulo de ira, Locke aceitou a ordem, confirmando com um menear de cabeça e retirando-se bravo da sala.

Observando a cena, Olívia ajustava os óculos ao rosto com o dedo indicador.

- Você domou o animalzinho mesmo!

- Olívia, sei bem que costuma fazer tudo sozinha, mas tenha paciência desta vez. Não foi opção minha. Ao que dependesse de mim, Locke poderia trabalhar com qualquer um exceto você.

- Noto que parece considerá-lo além do que desejaria. “Ortensia é só a tutora, mas trata aquele moleque como se fosse seu bebê.” Ouvi coisas do tipo várias vezes. Na verdade já não gostei deste lugar assim que pisei aqui. É muito frio! Prefiro esquentar as coisas. Só me chateia o fato de ter de me livrar de gente inútil! Eles não ajudam e nem atrapalham, mesmo assim põem-se no caminho. Gente inútil!

- Para alguém do seu nível todos são inúteis. Desde que era criança, as pessoas lhe pareciam inúteis. Locke não é um inútil, então não vá livrar-se dele quando achar que deve. Vocês devem trabalhar juntos e não um contra o outro, por isso a mandaram aqui antes que partissem para executar a tarefa. De qualquer forma, me resta apenas fazer-lhe um último alerta.

- Último alerta? Por acaso não está confiando a mim?

- Eu a conheço desde que era criança e sei bem como age, ou tem agido atualmente. O que quero avisar é para ter cuidado. Não ouse usar Locke para saciar sua libido. Caso o faça serei eu quem irá puni-la.

- Tudo bem que um moleque sem senso como é ele, é fácil para essas coisas, mas não se preocupe, seu bichinho não faz meu tipo.

* - * - * - * - *

Pelos corredores Locke caminhava com passos vagarosos e pesados batendo forte contra o piso a cada passo, enquanto resmungava. Maneira típica de se demonstrar insatisfação. Durante o percurso, era seguido por Clara que, a todo instante tentava dizer algo para acalmá-lo, mas hesitava ao ouvir o som do pé contra o piso junto dos murmúrios.

De súbito ele pára no meio do caminho, fica olhando para os próprios pés. A emprega assustada pára onde está, esperando por alguma reação. Lentamente ele olha para trás, um olhar apavorante sobre a moça, que se sente toda arrepiada.

- Tá me seguindo por quê? – pergunta num tom mórbido.

- Er... aju...dar?

- A quê?! Como vai ajudar? Só ajudaria se pudesse me livrar daquela menina irritante!

- Sinto muito!

- Mas... – nesse momento Locke desvia o olhar, como se se sentisse constrangido.

- Mas?

- Pode fazer com que eu fique pronto mais rápido...? Assim a tia não vai brigar comigo.

A moça concorda com um sim gutural e aproxima-se deste acompanhando-o até seu quarto.

* - * - * - * - *

Locke e Olívia passeiam pelos jardins aos arredores da casa de Ortensia. Ela usava tantos agasalhos que parecia sem pescoço, e seu rosto era quase impossível de ser visto. Parecia tremer mesmo dentro de tantas roupas. Já Locke, acostumado ao clima da região, sentia-se bem à vontade agasalho com apenas um casaco.

- Que cabelinho de moça esse, hein? – Olívia comenta no intuito de irritá-lo.

- O que você tem com isso? Ao menos não estou parecendo um palhaço redondo dentro de tantas roupas!

- Não me fale disso! Esse climinha de vocês é irritante. Sabe, eu moro num lugar quente, cheio de praias, meu apartamento tem vista para o mar.

- Então, tá fazendo o que aqui? Vai logo embora!

- Não é assim que as coisas funcionam!

Olívia parou de andar e deixou escapar um suspiro de cansaço, esfregou as mãos dentro das grossas luvas e começou a falar.

- Acho que a Ortensia não te contou, mas estamos no mesmo tipo de trabalho. Apenas não faço como você. Enquanto você mata uma pessoa, eu destruo uma cidade inteira. Certo que nem sempre é assim, mas já tive de fazê-lo. Às vezes é só um lugar.

- Como faz isso? – começava a mostrar interesse pelo assunto.

- Explosões! Construo bombas e aciono pelo computador. É bem simples.

- Mas isso quer dizer, que tem vezes que você mata mesmo quem não está envolvido.

- Fazer o quê!? Acho estupidez perder meu tempo destruindo gente assim, mas é esse maldito trabalho.

Ambos permaneceram calados por um instante. Locke parecia perdido em pensamentos, pensamentos sobre o que acabara de ouvir. Olívia observava-o querendo acabar com aquele silêncio constrangedor. Até que lhe ocorreu uma idéia.

- Ei, vamos sair daqui! – ela puxou-o pela mão, tirando-o bruscamente de seus pensamentos.

- Eu não saio. – disse aplicando força sobre o chão, tornando-se pesado demais para que fosse puxado.

- Quê!? Que pensamento retardado é esse? Vamos sair... Não tem nada pra fazer nesse lugar. Além disso, me obedeça! Ortensia disse que ficaria comigo durante o resto da manhã. Então, vamos sair!

- Só saio se a tia me autorizar.

- Quantos anos você tem afinal? Três?!

- Não, eu tenho...

- Já sei! Li sua ficha. Isso foi modo de falar. – o interrompeu.

- Eu não vou sair! Lá fora também não tem nada pra fazer.

- Lá é mais fácil encontrar. Se você vai ficar se fazendo de difícil, vamos até a Ortensia, que ela autoriza.

* - * - * - * - *

Olívia arrastava Locke pelas ruas, parecia bem alegre por ter saído, o frio já não parecia incomodar-lhe tanto quanto antes, provavelmente por causa dos movimentos rápidos que fazia agora, andando, praticamente, saltitante pelas ruas, com um sorriso idiota estampado no rosto, quase destruindo sua feição intelectual.

- Eu sabia que ela deixaria! Aqui fora não é bem mais animado?

- Não! Vamos voltar.

- Você parece um velho, mesmo sendo um molequinho. Ah! Faz tanto tempo que não vejo ninguém além do meu tutor e minhas vítimas, que até um molequinho como você serviria, mas a Ortensia me mataria se fizesse alguma coisa.

- Do quê tá falando?

- Se ao menos eu visse o Alexander mais uma vez! Já faz tanto tempo que a gente se viu. – continuou a falar ignorando a pergunta de Locke.

- Quem é Alexander?

- O atirador! Você não conhece? Não conhece nenhum dos outros?

- Outros? Eu acabei de saber que você também executa. Como eu posso conhecer outros?

- Alexander é um sniper. Acho que é só um ou dois anos mais velho que você. Ao menos não é tão moleque!

- Pára de me chamar de moleque!

* - * - * - * - *

Em seu escritório, Ortensia recebia o neto e um colega de trabalho, o tutor de Olívia. Os três sentados em cadeiras confortáveis ao redor de uma mesa de vidro e tomavam um chá enquanto conversavam sobre trabalho. Mais especificamente discutiam sobre Olívia, Locke e o que havia sido designado para os dois.

O tutor de Olívia não era tão velho quanto Ortensia, poderia ter seus trinta anos. Vestia um paletó preto, que levava uma insígnia no lado esquerdo do peito, um uniforme. Estudava cautelosamente a ficha de Locke, passando devagar página por página.

Soltando os papéis sobre na mesa, dirigiu-se a colega.

- Por que não me enviou o material antes?

- Nesse tipo de vida deve haver bastante cautela. Eu nunca enviaria informações. Sabe-se lá o que poderia acontecer pelo caminho! – explicou, ela.

- Poderia ter mandado por Pedro. – já parecia irritado.

- E se algo acontecesse a ele pelo caminho? Não, não. Deve-se pensar em tudo. Por que isso o incomoda?

- Por quê? Acho incoerente eles terem sido designados a trabalharem juntos. Olívia poderia resolver tudo como na noite passada.

- Se fosse assim ela já teria ido embora.

- Na verdade, tudo isso só está acontecendo devido a uma falha. – complementou, Pedro.

- Walter, você não previu tudo.

- Como me fala em prever!? – Walter esfregava a mão na nuca de uma forma preocupada. – Ninguém imaginaria que acionariam o sistema quando fosse anunciada a morte daqueles dois! Não tínhamos como saber que haviam mais envolvidos!

- Talvez tivéssemos, só não foi dada devida atenção ao caso. – em nenhum momento Ortensia alterava-se.

Pedro retirava a louça da mesa, puxava uns rolos de papéis encostados em sua cadeira e estendia-os sobre o tampo vidro.

- É um subterrâneo. – explicava, apontando o local sobre o mapa que tinha aberto. – Olívia precisa chegar aqui discretamente e destruir tudo, enquanto, em cima, Locke deve localizar suas vítimas e eliminá-las sem ser notado. Sugiro que seja durante a madrugada. Por volta das onze as ruas dessa cidade já estão completamente vazias.

- Então, por que esperar até a madrugada? – Walter pergunta.

- Imaginei que alguém do seu nível entenderia. – Ortensia comentou, zombando dele. – Precaução. “por volta das onze” não significa “exatamente onze”. Esperar um pouco mais é só questão de cuidado. Bem, mas não devemos nos preocupar com a falta de entendimento. O único aqui do setor de estratégia é o Pedro mesmo.

- Eu preciso saber alguma coisa sobre você, Walter? – Pedro pergunta retomando o assunto. – Será invasão de propriedade privada, mas precisamente uma residência. Dos guardas já sabemos que Locke cuidará, mas enquanto as fechaduras... Bem, queremos algo discreto, Olívia poderia... – antes que terminasse a frase foi interrompido por Walter iniciando um discurso orgulhoso.

- Violar as trancas? Claro. De todos os tipos! O que mais se pode esperar de uma mocinha que construiu uma bomba de nêutrons aos treze anos? Olívia é uma autodidata. De todos, é a de maior nível intelectual! Não se preocupem quanto a isso, ela o fará sem problemas.

- Parece confiante. – Ortensia comenta. – Mas, lembre-se que nesse trabalho o intelecto não é a única salvação. Estudei bem a ficha dela. Fisicamente é um desastre. Nessa missão será protegida por Locke. – adverte. – Além do que, aquela menina é uma pervertida!

* - * - * - * - *

Olívia e Locke estavam sentados à mesa de um restaurante. Um lugar grande e luxuoso. Mesas cobertas por belas toalhas, galerias de janelas de vidro ornamentadas por cortinas e flores, lustres de vidro, piso de mármore, recepcionista, garçons, dividido em alas e tudo o mais. Eles estavam numa mesa próxima a uma das várias janelas, sobre a mesa, pratos com fatias de tortas cobertas por creme e enfeitadas com pedaços de frutas. Olívia saboreava o pedido comentando a todo o tempo o quão gostoso estava, enquanto Locke nem tocava o prato observando o lado de fora pela janela.

- Ô! Não vai comer, não? Eu tô pagando pra você. – Olívia reclamava ao vê-lo distraído sem sequer olhar para o que ela havia pedido.

- Eu não pedi isso. – reclamou virando-se para ela.

- Ai, ai, você dá mais trabalho do que parece. E daí que não pediu? Eu estou te dando.

- Eu não quero.

- Que coisa! Será que o bebezinho não come porcarias antes do almoço?!

- Por que estamos fazendo isso? Será que eu não poderia ter ficado em casa?

- Existe algo mais divertido para se fazer. – Olívia atirou sobre o garoto um olhar, um tom sádico. – Mas, só podemos se não disser nada para sua titia.

- Pára de me olhar com essa cara ridícula!

- Ah! Com você, qualquer uma perde a vontade! – reclamou. – Se quer saber, eles não nos queriam lá.

- Eles?! Você sabe o que é! Me conta!!

- Que adianta? Você deve contar tudo para a Ortensia. Além disso, você me desanimou. Ao menos experimenta o doce. Está tão bom!

Locke observou o prato por um breve instante, mexeu de um lado para o outro com o garfo. Depois, volto-se para Olívia entregando-lhe a torta.

- Não gosto de morangos.

- Não tenho dúvidas de que você me irrita!

De repente uma sombra surge sobre a mesa. Alguém se aproximou dos dois sem que fosse notado. Ambos olham para o alto em busca do rosto do invasor. Deparam-se com Pedro e sua expressão de chateação.

- A vovó me mandou buscá-los. – avisou. – E como deu trabalho encontrá-lo! Da próxima vez se escondam num local mais próximo.

Quando Olívia terminou de comer seus doces, pagou a conta e, junto de Locke, acompanhou Pedro de volta a casa de Ortensia.