11.17.2006

Segunda semana de aula. Mas, contando que a primeira semana foi só de apresentações, essa foi a primeira semana pra valer. É pouco tempo, mas já tô adorando estudar arte.
No primeiro dia acabei fazendo uma besteira e me perdendo pela cidade, mas as vezes é bom quebrar a cara pra aprender alguma coisa. O que importa é que no final ficou tudo bem.
Já no segundo dia de apresentação, conversa com a coordenadora e uma das fundadoras do curso. Depois de explicações triviais ela resolveu fazer com que cada um de nós se apresentasse. Em meio meu costumeiro azar (vá quebrar sua cara, Sama!) eu fui a terceira a me apresentar e não fazia a mínima idéia do que dizer, ainda mais porque as duas pessoas antes de mim disseram muita coisa e eu não tinha nada em mim pra superar. Quando vi as outras pessoas se apresentando depois de mim, realmente notei que eu não teria a mínina chance, fosse a primeira ou a última. Tantas pessoas com tanta coisa a dizer, todas parecendo tão incríveis. Era como se a gravidade pesasse mais sobre mim. Comecei a me sentir pequena. Eu não tenho nada a dizer. Nuna fiz nada de mais. Tô sempre dependendo dos outros. Que insignificante! Foi essa a sensação do primeiro encontro. Na hora do intervalo nem consegui me habilitar a me aproximar de alguém. Sentei num canto e botei meus fones de ouvido. Música pra mente, música pra alma. Mais tarde foi hora de conhecer o professor de desenho. Não pareceu ruim, nem tão bom, pareceu exigente e meio despreocupado. O tipo de professor que sente prazer quando o aluno vacila. Dizendo tão a toa como queria o material.
No dia seguinte, mal pisei na faculdade, fui avisada que o professor havia faltado por estar doente. Não conheci o professor de semiótica.
Na quinta-feira se confirma: o professor de desenho é mesmo como pensei. Um aluno do segundo semestre, Tchesco, foi contando muita coisa sobre o curso. Aprendi muita coisa. Fui logo me preparando. Era novamente aula do mesmo professor. Ele também ensina fundamentos. Nessa aula a exposição de sua hilária crueldade. Após algumas explicações foram distribuidas folhas A4, uma pra cada aluno. Exercício: desenhar apenas linhas. Retas horizontais e verticais, obliquas e curvas. Pela facilidade, preguiça, pressa e comodidade eu usei apenas curvas. Então, ele nos manda pendurar os desenhos, com os nomes no verso, em lugares marcados pelas predominâncias tipo de cada reta. Resultado: horizontais e verticais = frios e calculistas, obliquas - aventureiros e traidores, curvas (da Sama) - carentes.
Na sexta-feira, a melhor de todas, aula de pintura. Eu sou péssima com cores e vivo no meu mundinho preto e branco. Mas, o professor foi tão divertido, até mesmo na apresentação, em meio de tanta gente que sabe o que quer equanto mais parece que eu tô dando um tempo na minha vida, eu pude me sentir a vontade pra falar alguma coisa. Deu até vontade de colorir meu preto e branco.
Nova segunda, conhecendo o professor de história da arte. Meio paradão como se estivesse sempre com sono. História dá muito sono. Mas, ele já mostrou que sabe muito. Dispensou as apresentações porque já sabia que todo mundo já tava muito cansado disso. A melhor parte desse dia: o professor pareceu mostrar um interesse especial por quem gosta de quadrinhos. Quem dera eu pudesse ter me expressado melhor. Tenho uma grande impressão (praticamente certeza) de que ninguém na minha turma, além de mim, gosta de quadrinhos e, ainda mais, sou a única otaku.
Terça-feira, aula de desenho. Por recomendação do Tchesco, levei um CD da Mira pra aula, Fraz Schubert, música clássica. Mesmo assim, antes disso, o professor resolveu pegar no meu pé a começar por pedir pra olhar minha pasta com o material. Tanta gente na sala! Mas, enfim, cabei entregando o CD pra ele quando notei que a gente ia começar a desenhar. É muito melhor desenhar com música. Quando o CD começou a tocar notei que todo mundo se assustou. Além disso, tiveram pessoas que tenho certeza que odiaram eu ter entregue aquele CD, mas que se dane! De qualquer forma, depois disso, todos os exemplos da aula que ele tinha que dar foram com os meus desenhos. Pior parte: ele podia até falar o que quisesse, mas quando eu vou fazer algo quero fazer até o fim. Nem adianta falar comigo, pois é como a mira diz, eu fico toda altista desenhando. Não sei se ele gostou de mim ou me odiou. Sei que tenho que me esforçar pra passar nessa cadeira.
Quarta-feira feriado. Nada de semiótica mais uma vez.
Quinta-feira aula de fundamentos mais uma vez. Dia depois de feriado, amanhace chuvendo, eu chego atrasada e noto que não tem quase ninguém na faculdade. Estranho. Conversando com a Josy, Celine (colegas de sala) e o Tchesco, ele comenta que em dias como aquele raramente as pessoas aparecem, até mesmo os professores. A Josy pergunta se o Eloy (professor de desenho e fundamentos) vai aparecer. Tchesco diz que ele não falta nem por decreto e que quando tem que faltar deixa um exercício de sala pra não ter que despensar ninguém. Mal falamos nele, e o cara chega.
Piada: Já ouviu falar no Beatlejuice?
Aula de fundamentos: visita a galeria de arte do Dragão do Mar - esposição de gravuras de vários artistas do país. A maioria deles era do sul ou sudeste. Trabalho do dia: escolher quatro obras da esposição pra analisar e escrever o relatório "sentimental", pelo que ele quis dizer. No final das contas, foi bem divertido ficar passeando por aquela galeria, vendo as obras, discutindo com o pessoal da sala. Deu pra conhecer mais gente. Foi bom. Além disso, tive que me virar pra voltar pra casa. Acho que isso conta como uma coisa nova que aprendi, não é? Tentar fazer isso sem ajuda de ninguém.
Sexta-feira, hoje, aula de pintura. Paccelli (professor de pintura muito limpeza) com seu exercício de misturar cores. Eu sou péssima com cores. Só consegui fazer a tabela de cores secundárias. Nem sequer parei durante o intervalo, mas eu sou muito ruim. Meu trabalho ficou uma porcaria. Tenho o prazo de até próxima aula pra tentar fazer isso. O da Josy tava tão bem feito, e o Alessandro (outro colega de classe) conseguiu fazer umas cores tão bonitas. Me deu tanta inveja deles. Eu não consegui nada. Quero ser uma boa artista, mas me falta tanta coisa. Parece que tem gente que nasce sabendo. Eu tenho muito o que aprender. Antes de sair da sala, com as mãos sujas de tinta e carregando uma pasta enorme cheia de papeis e pinceis e paleta e outros troços, eu disse a eles que estava desanimada (do meu jeito... que ninguém nunca leva a sério por mais que seja verdade) por causa do bom trabalho deles e do meu desastre.
No ônibus, devido meu aparato e aparência, parecia que as pessoas não queriam chegar perto e ainda olhavam estranho. Ainda mais, fui até o shopping, comprar chocolate e uma porcaria lá pra Lena. Engraçado como as pessoas te olham estranho só porque você está suada, despenteada, suja de tinta, carregando uma pastona cheia de porcaria, ainda mais se você não tiver postura e usar um óculos que escorrega do rosto (feito eu). Queria saber o que pensam. Será que é "olha só uma artista"? Ou "o que essa doida tá fazendo aqui"?

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